quarta-feira, 27 de março de 2013

Pascae: Mudança



( Texto faz parte do Concurso Cultural “Quero o meu chocolate em livros” no blog Garotait em parceria com a Cuponation. )


Era meio-dia, crianças passeavam no mini zoológico observando, com brilhos nos olhos, coelhos em um grande cercado. Algumas crianças corajosas ousavam tocar nas pelugens de alguns, não temendo que estes os mordessem com aqueles quatro dentes incisivos.
Ao contrário da menina, Luna, que encarava os roedores fora da cerca, onde, para ela, estava bem protegida dos orelhudos. Era incrível como ela não gostava e sentia medo de um animal tão fofo e inofensivo como o coelho. Já que sua descrição era distorcida por causa do seu primo, que mentiu para garota.
“As orelhas grandes eram deformações, aqueles pulos rápidos era fáceis para pegar a vitima e aqueles olhos, sim, aqueles olhos mostravam que ele era um demônio- principalmente os que possuíam tons vermelhos – presente no corpo de um pequeno animal indefeso”, Luna lembrou-se do que seu primo tinha dito, quando a menina tinha apenas seis anos.  E com essa memória de quatro anos atrás e sua análise de agora, concluía que o seu parente estava certo.
Um senhor de meia idade, observava a expressão tenebrosa e de repugnância da garota sobre os coelhos com pelagens de tons variados. E reprovando aquele semblante, para uma garota tão jovem, tomou a responsabilidade de muda-lo com urgência. Assim a cumprimentou-a, em seguida começou a comentar como os coelhos dentro da cerca, junto com as crianças faziam o bom velho sorrir. Pois, aquilo era prova de amor, paz...
— Os olhos deles são assustadores. Parecem que não tem sentimentos... — ela respondeu de uma forma fria.
“Quem botou isso na cabeça dela?”, pensou o homem de cabelo grisalho. Ele suspirou, assim lembrando-se de uma história que fez seus olhos brilharem de imediato.
— Amanhã é páscoa, não é? — ela o encarou e meneou a cabeça em confirmação. Ele esboçou um sorriso gentil. — Sabia que quem faz os ovos na verdade são fadas?! — Luna arregalou os alhos com a informação, mas ficou quieta para o homem continuar sua história.
“Existem vários tipos de fadas. E um tipo é responsável pela páscoa, conhecida como Pascae, fada da passagem ou mudança. Esses seres fazem os ovos coloridos, trazendo mudança sentimental, mental e físico para as pessoas, como se fosse uma metamorfose de uma borboleta, por exemplo. Porque, antes o animal era uma lagarta, mas muda para uma bela borboleta que é apreciada pela natureza em si. Entende?”
O senhor notava a expressão curiosa da menina que fazia um ‘o’ perfeitamente com a sua boca, representando surpresa com esses conhecimentos. Mas, de repente, franziu o cenho e, atrevida, perguntou:
— O que tem haver com coelhos? Não creio que algo tão magico tenha alguma relação com esses monstros.
Ela enrugou a cara com desgosto, provavelmente pensando em alguma parte do roedor. Na qual detestava.
— Fadas, em geral, amam animais e plantas. Pascaes, em particular, amam muito os coelhos que até moram neles.
— Como? Logo com... eles me assustam. Principalmente os olhos e aqueles dentes.
— Os coelhos possuem aqueles olhos para enxergarem algo que não podemos ver, porque, criança, eles representam a pureza. Algo que dificilmente os humanos não possuem com facilidade.
“As Pascaes vivem nas pelagens ou orelhas longas dos coelhos, afim de se aquecer e dormir de uma forma agradável. Cada Pascae se assemelha com seu coelho, ou seja, alguns possuem olhos vermelhos, pele branca ou morena e orelhas avantajadas. Particularmente, são fofas!”
Ele riu e, sem querer, a menina o acompanhou, imaginando fadas assim. Realmente criaturas lindas e fofas.
“Ninguém escuta, mas alguns puros dizem que na chegada do domingo da páscoa, um sino soa e as fadas saem de seus amigos roedores, indo ao trabalho. O tilintar do sino é angelical e só termina no fim de domingo. As fadas Pascaes vão até um lugar secreto, dizem serem túneis de terras, e com os ovos, presenteados por algumas aves, iniciam a magia que é representada nas pinturas.”
“Assim pincelam com cuidado os diversos ovos, colocando a magia de passagem neles para os seres humanos. Velas ajudam na sua visão, comem pequenos doces da natureza com o vinho tirado das videiras, assim não morrem de fome ou cansaço. Bem alimentadas e felizes, seguem para distribuição desses ovos pintados, assim escondidos em certos lugares. Os merecedores encontram na busca dos ovos, ao abri-los começam a ter sua própria felicidade, assim criando mais fadas que irão ajudar nos próximos anos de páscoa.”
A garota estava pasma, mas esboçava um pequeno sorriso por ter sido concebida pelo esclarecimento da origem da páscoa. Que na sua concepção só passava de ovos de chocolates que comia até enfartar, saber que elas trazem mudanças nos homens é incrível. Será que poderiam fazê-la perder o medo dos coelhos?
— Sabe o que é mais interessante? — ela negou, desviando seu olhar para os coelhos. — Quando se cria fadas, também nascem coelhos na mesma quantidade. Como sabemos, existem muitos desses animais, assim existindo esperança de cada ser humano ter paz no seu coração. Sem temer nada. Porém deve ir à busca dessa mudança.
Dito essas palavras, a menina teve uma louca vontade de tocar naqueles coelhos.




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